quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Padre Nicola Bux: "Temos um Vaticano Stalinista".


Monsenhor Nicola Bux foi teólogo da Congregação para Doutrina da Fé (principal órgão do Vaticano para decisões teológicas). Ele é muito respeitado.

Bux escreveu carta que foi mostrada ao  jornalista italiano Marco Tossatti. Carta  sobre o pontificado do Papa Francisco e sobre a situação do Instituto João Paulo II, que está em crise,pois o Papa Francisco resolveu fazer "refundação" do instituto, com "novo currículo".

Nunca vi carta de padre tão direta no ataque ao pontificado de Francisco.

Traduzo para o português a carta de Bux, vejam vocês:

"Prezado diretor

 Sobre a história do Instituto João Paulo II para Estudos sobre o Casamento e a Família,  é oportuno destacar o atraso ocorrido na Igreja em relação à Idade Média, no qual se fizeram disputas teológicas entre franciscanos e dominicanos,  sobre quais daqueles que tinham mais argumentos para vencer.  Hoje, chegamos aos métodos stalinistas com luvas amarelas.  Não há mais confrontação, disputa na Igreja.  Agora, se você não pensa como o líder, você está identificado, catalogado e excluído.  É o efeito prejudicial da ideologia do diálogo, que é bom contanto que você pense nas mesmas linhas de quem o prega.

Para confirmar, então, o pluralismo e a sinodalidade, temos aqui a demissão de professores titulares que são privados de sua cátedra por razões ideológicas.

O que aconteceria em qualquer outra universidade se você fizesse isso?

Que prestígio acadêmico será deixado a João Paulo II?  (a questão não é apenas se continuará a ser uma instituição universitária inspirada em João Paulo II, mas se continuará a ser uma instituição universitária).

Tudo isso pesa de maneira singular no diretor, como um homem da Academia que preside essa operação: ele certamente não agiu de maneira exótica, mas por trás de uma ordem superior.

 De maneira brutal ou com motivações inconsistentes, o mesmo acontece nos seminários, nas faculdades, nas congregações e nos dicastérios romanos.

O paradoxo é que o diálogo ecumênico e inter-religioso é propagado para o exterior, enquanto a ditadura do pensamento único interior é afirmada.

 Muitos se perguntam - sempre em nome da sinodalidade e do pluralismo -: não se deve promover a comparação entre todos os batizados, especialmente entre todas as categorias de teólogos?  Uma comparação que tem o pensamento católico como referência, segundo a máxima de São Vicente de Lerins: “o que sempre foi acreditado, em todo lugar e por todos”?

Talvez esteja chegando o momento em que devemos nos levantar e nos mover em direção a São Pedro, de todo o mundo, para denunciar o novo "latrocínio ephesinum".  Eu me explico.  O segundo concílio de Éfeso em 449, conhecido entre os teólogos católicos e ortodoxos como o latrocínio Éfeso ou banditismo de Éfeso (em grego Ληστρική της Εφέσου), foi um concílio eclesiástico cristológico.  Como resultado dos conflitos que surgiram sobre a pessoa de Jesus Cristo, e especialmente do posterior de Calcedônia (451), as igrejas cristãs foram divididas em calcedônia e pré-calcedônia.

Parece certo inferir que, após o próximo sínodo, Jesus Cristo será declarado ultrapassado, porque parece que a Amazônia e alguma outra "região européia", não precisam mais dele para a salvação, porque estão bem como estão.  Enquanto isso, a “teologia moral” do casamento e da família declarada pelo Senhor foi declarada vencida;  aquele que João Paulo II defendeu e espalhou, pagando pessoalmente.  Portanto, estamos nos prodromes da traição efésiana.  Depois, vamos seguir Bento XVI, que expressou solidariedade com o diretor defenestrado, e imagine o Papa Francisco irritado com tudo isso, apesar de todas as suas exortações ao pluralismo, parresia e sinodalidade.

 Portanto, corramos e tentamos consertar a situação, antes de mais nada os professores e alunos de João Paulo II, antes que seja tarde demais.  Tudo para São Pedro!

 Atenciosamente

 em Domino Iesu."


8 comentários:

Rafael P. disse...

Sabe Pedro,

Ao longo do texto fiquei pensando em vários pontos para comentar. Quando vi, iria comentar praticamente todas as frases, pois está impecável.

E assim me veio o segundo sentimento: eu senti a mesma coisa com inúmeros outros textos sobre as mais variadas patacoadas desse pontificado. E por conta disso veio a dúvida: fará diferença? Ou é mais um na lista de boas atuações e zero resultado prático?

Porque é evidente a estratégia do Vaticano de não responder e deixar tudo cair no esquecimento.

Então veio o último parágrafo... O qual espero que surja algum efeito.

Os últimos tempos tem sido difíceis. Tenho sentido muito desânimo para ser sincero, mantenho a confiança obviamente que Deus é maior que tudo, porém ainda assim entristecido com os rumos. A salvação nunca foi fácil, porém poucos são os que ainda tem fé. Não sei seu círculo de amizades/família, porque por aqui estou rodeado pela ignorância/ateísmo. Mesmo dentro da Igreja são poucos os que ainda mantém uma fé mais pura e sem os modernismos.

Enfim... Um pequeno desabafo.

Pedro Erik disse...

Meu amigo, durante a leitura para o meu livro sobre guerra justa, eu vi que alguns analistas colocava a "chance de vitória" como um pré-requisito para a guerra justa. Eu sempre discordei disso, o mundo ocidental veio de Abraão, qual era chance dele criar esse mundo? Quais eram as chances de Santo Atanásio? Ou de Santa Caterina de Siena? Deus não lida com quantidades, mas sim com a fé. Lutemos por Ele. E essa luta será mais aliviada se tivermos a Verdade (Cristo) do nosso lado. Se a mentira está dominando o pontificado de Francisco, pior para eles.

Nicola Bux falou a Verdade, quantos vão ouví-lo? O importante é que uma enorme quantidade ouça ou só alguns? Não sei, só Deus sabe. Mas, para Bux, o que importa é estar do lado de Deus.

Abraço,
Pedro Erik

Rafael P. disse...

Grato Pedro, eu precisava ler essa sua resposta hoje, teus exemplos me remeteram a tantos outros, especialmente Santa Teresa D'Ávila e São João da Cruz que tenho grande devoção.

Viva Cristo Rei!

Pedro Erik disse...

Fico feliz que eu tenha lhe ajudado, meu amigo.

Viva Cristo Rei!

Adilson disse...

Meu Deus! Nossos dias são o inverso do que foi na Idade Média contra os inimigos da Igreja: naquela época os inimigos eram poucos e tentam destruir de fora pra dentro. Hoje, os defensores da Igreja e servos de Nossa Senhora são em pouquíssimos, pois nossos inimigos são em milhares e tentam destruir a Igreja de dentro pra fora.

Emanoel Truta disse...

É a o "joio querendo sufocar o trigo".

Senhor, salva-nos, pois perecemos!

Verdade Pedro, só a Verdade ( Cristo) nos basta.

Viva Cristo Rei!

Viva a Imaculada Conceição!

Isac disse...

Coloque + stalismo nisso, como o Pol Potismo etc e esses maus teólogos tinham de ser excomungados àquela época - embora já o estejam - teriam preferido deixar de lado para não se aparentarem ser radicais!

Luiz Flávio Arreguy Maia disse...

Lendo os comentarios ao excelente artigo lembrei-me dos Macabeus: é melhor morrer do que viver numa terra devastada e sem honra.