quinta-feira, 24 de outubro de 2019

"Super Ex": Francisco e a Teologia da Libertação Brasileira que Domina o Sínodo


Super Ex é uma pessoa que participou internamente do Vaticano por muito tempo, faz parte de muitos movimentos católicos, e costuma escrever no site do renomado católico italiano Marco Tossatti, explicando os meandros da Igreja Católica.

Dessa vez, ele escreveu um excelente artigo sobre a história da decadência marxista da Igreja Católica no Brasil, que por anos enfrentou a oposição de Bento XVI, e agora chegou ao poder com Francisco e domina o Sínodo. Toda a nossa desgraça católica está exposta ao mundo com o Sínodo.

Mas, como eu falo no post de ontem, Francisco está do lado errado da história, o povo não aguenta mais esse esquerdismo de elite.

O texto do Super Ex tem duas partes. Eu vou traduzir uma parte do texto para vocês terem noção do que se trata. Eu não tenho permissão para traduzir todo o texto. Para ler essa primeira parte em inglês de forma completa cliquem aqui.

Percebam os nomes citados pelo artigo. Do artigo, eu só acrescentaria que o fato de que Bento XVI ainda estar vivo para ver a desgraça serve para ele ver o que a renúncia dele gerou. 

Aqui vai tradução de algumas partes dessa primeira parte do artigo.

Marco Tosatti: uma atualização sobre a teologia da libertação

Caros leitores do Stilum Curiae, o Super Ex (ex de Avvenire, ex de Movimento per la Vita, ex de vários outros movimentos católicos, mas ainda não ex-católico) nos deu uma análise da situação atual da Igreja e, acima de tudo da batalha que Joseph Ratzinger travou para defender a Igreja de seus inimigos que hoje parecem ter vantagem. Leitura feliz.

* * *

O fato de Bento XVI ainda estar vivendo e testemunhando o que está acontecendo hoje na Igreja talvez seja um mistério da Fé. Primeiro como cardeal e depois como papa, Ratzinger foi o clérigo que mais lutou contra a "autodestruição da Igreja por seus próprios clérigos".

Hoje ele está testemunhando a derrota momentânea de tudo o que fez e disse durante décadas.

Como estão as coisas atualmente, seus adversários de ontem estão agora triunfando.

Para entender isso, precisamos pegar um livro antigo, "Senza Misericordia", publicado pela Kaos (editora de Milão) em julho de 2005, logo após a eleição de Ratzinger no trono papal.

Os autores do livro se autodenominavam "Discípulos da Verdade" - inimigos de Bento XVI, clérigos escondidos sob pseudônimos, lançando secretamente suas acusações contra seu eterno adversário.

O livro contém um relato partidário e sectário - mas extremamente interessante - das batalhas do ex-prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, desdenhosamente chamado de "Panzerkardinal".

Vamos dar uma olhada neste livro e refazer as batalhas de Ratzinger e, indiretamente, as de João Paulo II.

Contra a Teologia da Libertação

O primeiro parágrafo da segunda parte do livro começa com um título significativo: "Contra a Teologia da Libertação". A primeira acusação feita contra o recém-eleito Bento XVI foi precisamente esta: que ele havia passado a vida inteira, começando com um documento em 1984 , opondo-se à confusão entre o evangelho de Jesus Cristo e o "evangelho" de Karl Marx.

...O parágrafo especifica dois indivíduos que Ratzinger identificou como perigosos semeadores de erros, que ele havia chamado a Roma: o peruano Gustavo Gutiérrez e o franciscano brasileiro Leonardo Boff. Este último afirmou, em 1985, que "a maioria do clero brasileiro já adotou a teologia da libertação".

Algumas páginas mais adiante, os “Discípulos da Verdade” relembram outro choque: aquele entre Ratzinger e o monsenhor Pedro Casaldàliga, bispo da Amazônia brasileira envolvido em trabalho social, de acordo com o espírito da utopia socialista. Após uma advertência romana a Casaldàliga, em 27 de setembro de 1988, cerca de vinte bispos brasileiros enviaram uma declaração de solidariedade a Casaldàliga para Ratzinger. Avançando mais algumas páginas, encontramos outro encontro entre Ratzinger e mais uma teóloga brasileira, a ativista feminista Ivone Gerbara, que escreveu em 1995 que era a favor do aborto "em certos casos e circunstâncias".

...

Vimos de onde vêm todos esses hereges: América Latina e, na maior parte, Brasil.

Esta é uma observação interessante à luz de certos fatos: entre os principais eleitores papais de Bergoglio estava o cardeal brasileiro Cláudio Hummes, que em sua juventude esteve publicamente associado à teologia da libertação. E agora hoje Bergoglio está convocando um Sínodo na Amazônia, localizada principalmente no Brasil, e ele escolheu o Cardeal Hummes como relator-geral do Sínodo.

A teologia da libertação latino-americana, ou mais precisamente a teologia da libertação brasileira, está prestes a se vingar?

Parece evidente que é isso que está acontecendo - não apenas porque Bergoglio sempre mostrou uma predileção pelos governos de esquerda, compostos por comunistas (de Evo Morales ao Partido Comunista Chinês, incluindo seus laços estreitos com Bernie Sanders, com as esquerdas argentina e italiana), mas também porque, nos últimos anos, Bergoglio reabilitou descaradamente todos os teólogos anteriormente condenados por Ratzinger.

...

Em conclusão desta primeira parte, duas observações: a teologia da libertação triunfou na Igreja, graças a Bergoglio. Mas no Brasil perdeu, por pelo menos duas razões. A primeira é a recente vitória eleitoral, após tantos anos de domínio da esquerda, de Bolsonaro, contra quem Bergoglio está lançando seus raios no sínodo. A segunda é que "o número de brasileiros que dizem ser católicos continua a declinar" drasticamente, um sinal de que a árvore ruim não está dando frutos.

E então?

E assim estamos testemunhando [no sínodo] uma vitória pirânica, uma canção de cisne. Bergoglio é a teologia da libertação, que atingiu a sede do poder, no exato momento em que essa sede não tem mais um povo por trás.


12 comentários:

Adilson disse...

Ufa. Riquíssima postagem a de hoje. É coisa pra lermos e relermos por dias.
Vamos lá:

PARTE I

Dr Pedro, fui primeiramente lá na página One Peter Five para ver o artigo original - alias, a página é muito bonita e bem organizada, sem falar na qualidade da fonte dos textos.

Antes de comentar, uma dúvida: 'Super Ex' é de fato uma pessoa com quem Marco Tossatti se comunica em sigilo para não expor a pessoa e preservar sua segurança?

Continuando, a partir de sua tradução: concordo com o senhor quando diz que o fato de Bento XVI ainda estar vivo para ver tudo isso serve-lhe como testemunho real das consequências de sua renúncia. Realmente, é de doer. Hoje mesmo rezei por ele, pois certamente deve estar doendo-lhe muito na alma e no coração.

O autor cita um livro, Senza Misericordia, pena que nunca vi os youtubers católicos brasileiros trazendo informações sobre esse livro e também o que ele é capaz de revelar sobre tudo o que está acontecendo nos últimos dias; [graças a Deus existe o Thyself O Lord].

Engraçado, que ao ver o título desse livro, logo me lembrei da tal "misericórdia" de que papa Francisco tanto se diz ser arauto. Estranho ainda é essa gente da TL sempre usar tal palavra como escudo para suas obstinações pessoais contra tudo o que é conservador.

Enfim, se não li de forma fraca o artigo, me parece que temos um problema de gravíssima realidade: há, desde antes de Bento XVI, realmente uma conspiração, uma máfia, uma panelinha dos diabos agindo contra a Igreja, e esse grupo agora estão AGINDO LIVREMENTE e OBSTINADAMENTE se impor.

Outra coisa que me veio à cabeça é a seguinte: será que o sr. Bergólio e todos os bispos e cardeais chegados a ele, se organizaram durante o período que Bento XVI este no papado? Não quero me precipitar, mas é algo que me martela: ora, Bergólio trouxe pra junto justamente aqueles que Bento XVI havia, tipo, dado uma isolada. Não vejo outra conclusão possível de ser tirada a luz do que Marco Tosatti está nos contando.

Pensando politicamente, acho que nesse ponto, Bento XVI cometeu o mesmo erro de Anibal, quando este desafiou Roma: a história nos diz que Anibal, após terrível e longa marcha, chegou perto de Roma, causou vários incêndios, deixou um rastro de destruição, mas... não a destruiu de uma vez por torda: ele fez tudo aquilo como quê pra dá um susto nos romanos e deixar um recado de demonstração de força. Pobre Anibal. Não deu outra: os Romanos, tendo o fôlego necessário, assim que se reorganizaram ganhou grande força e foram visitar Anibal em seu quintal. Ou seja: se todos que agora foram refortalecidos por Bergólio tivessem sido severamente punidos, destituídos de toda posição de influência na Igreja, de tal forma que fossem enfraquecidos e expostos para conhecimento de toda a Igreja Católica no mundo, especialmente no Brasil, talvez não tivesse ganho forças para se organizarem a ponto de causarem todo esse mal que estamos vendo. Digo "talvez", pois sei que Deus sabe de tudo, eu só estou indignado.


[uma perguntinha cá com os meus botões: será que o pe Paulo Ricardo tinha conhecimento disso, ou ele ja sabia e preferiu se manter distante, rezando e crendo que as coisas vã? Lembro que até o primeiro ano do papa Francisco, ele se esforçava por combater a imprensa que, segundo ele, "distorcia" o que o papa dizia. Até que, de repente, pe Paulo NUNCA mais ousou comentar o cotidiano do papa: calou pra sempre - só o bobão do Bernardo não perdeu a fé - ah ah ah].

Adilson disse...

Parte II

Prosseguindo:

sobre a afirmação de Boff - de que a maioria do clero brasileiro já faz parte do time - eu não duvido. Eu sempre digo que se alguém quer conhecer o tipo de clero que há em certa região, basta pronunciar a expressão "Missa Tridentina" e pronto. É como atiçar cães enraivecidos. E digo mais: o autor realmente está com razão, ao considerar que o Brasil é realmente um NINHO DE HEREGES.

A frase que achei perfeita e realista, nessa primeira parte, para o momento atual da Igreja é esta: "a teologia da libertação triunfou na Igreja, graças a Bergóglio". Realmente, o passado desse papa é de assustar, pois o homem militou e permitiu que sua consciência se construísse a partir de uma mentalidade revolucionária. E me parece que o camarada agia meio que livremente na Argentina. Por que os superiores dele não ousaram segurá-lo quando ele era apenas um filhote?

Que Nossa Senhora ampare a Igreja de seu Filho nesse momento tenebroso, onde um papa se opõe claramente e com todas as forças contra o Catolicismo.

Pedro Erik disse...

Ótimo comentário, meu amigo.

Sobre Super Ex, Tossatti gosta de falar meio em código quando supostamente usa fontes. Mas acho que Super Ex é uma pessoa.

Gostei da comparação com Aníbal.

Sobre Padre Paulo Ricardo, não sei dizer, há muito tempo que não acompanho o que diz vc sobre Francisco.

Abraço

Pedro Erik disse...

Amém, meu amigo.

Abraço

Adilson disse...

uma correção na PARTE I do meu comentário. Leia-se: "...uma perguntinha cá com os meus botões: será que o pe Paulo Ricardo tinha conhecimento disso, ou ele ja sabia e preferiu se manter distante, rezando e crendo que as coisas iriam ser resolvidas sozinhas com o tempo"...

Pedro Erik disse...

Difícil saber, meu caro. Creio que ele poderia ter informações mais facilmente que a gente.

Abraço

Isac disse...

Pe Paulo Ricardo talvez temeria caçarem e o cassarem, pondo até fora do sacerdocio; teria se precavido, pois se não perdoam nem bispos, imaginem ele?...

Rafael P. disse...

Tenho contato mais próximo e digo que o Padre Paulo Ricardo está em oração pela Igreja e em silêncio por várias questões já conhecidas de ordem superior. Quem acompanha o site e os cursos (São Miguel / Protestantismo) identifica facilmente as entrelinhas.

Pedro Erik disse...

Ok, Rafael. Já me falaram que foi ameaçado, mas não sei, realmente não acompanho o que ele faz. Em todo caso, é hora dos padres gritarem, antes que "as pedras gritem". Precisamos de mártires, como sempre.

Abraço,
Pedro Erik

Rafael P. disse...

Pedro, eu sou um que também falo da necessidade de falarmos mais, de sermos mártires etc.
Porém quando me vejo numa comunidade silenciando frente a tantas coisas que hoje são ditas, entendo a posição de alguns sacerdotes.

Como já mencionei, tenho um irmão Padre. Conversamos bastante sobre isso.
Aqui transcrevo: "Irei defender a verdade até a minha morte, seguirei evangelizando, falando da Salvação que vem apenas de Deus. Mas se um dia o Bispo me pedir algo que não seja a verdade, me negarei. Se ele quiser me expulsar não tem problema, volto a ser leigo e continuarei evangelizando. Onde estiver a verdade, lá estará a Igreja, mesmo que o Papa e o clero não estejam com a verdade, a Igreja não deixará de existir por conta disso. Onde estiver a verdade, lá estará a Igreja."

Então creio Pedro que esse pensamento deve existir em muitos padres. Que realmente confiam na promessa de Deus que jamais abandonará Sua Igreja.
Transcrevo aqui uma outra parte que li esses dias:

"Devemos meditar sobre a cena relatada no Evangelho quando o barco dos apóstolos foi ameaçado por uma forte tempestade. Cristo estava dormindo! Seus seguidores assustados O acordaram: Ele disse uma única palavra e, de repente, tudo se acalmou. “Ó vós, que tendes pouca fé!”

Nós clamamos em muitos momentos esse movimento de luta, até exigimos posicionamentos públicos de alguns Padres (vide acima). Mas será que se simplesmente evangelizarmos a verdade, se tivermos fé e ficarmos ao lado de Jesus no barco não será o suficiente? Tenho refletido sobre isso. Talvez a Igreja física (Vaticano etc) realmente caia, talvez se torne uma prostituta, uma falsa Igreja, mas nem por isso a Esposa de Cristo deixará de existir, que seja um único Padre restante, celebrando uma missa escondido numa caverna, mas essa será a Igreja verdadeira. Essa é a promessa do próprio Deus.

Mas outra questão que penso é: Isso não se faz necessário para purificar a Igreja?

1) Porque no Êxodo eram mais de 600.000 homens:
"Os israelitas partiram de Ramsés para Sucot, em número de seiscentos mil homens, aproximadamente, sem contar os meninos."
Êxodo 12, v37 (podemos concluir que eram mais de 1 milhão contando mulheres e filhos)

2) E entraram apenas 2:
"Os homens que subiram do Egito, da idade de vinte anos para cima, não verão jamais a terra que jurei dar a Abraão, a Isaac e a Jacó, porque não me seguiram com fidelidade, exceto somente Caleb, filho de Jefoné, o cenezeu, e Josué, filho de Nun, que obedeceram sempre ao Senhor. E o Senhor, irado contra Israel, fê-lo errar pelo deserto durante quarenta anos, até que se extinguisse toda a geração que tinha feito o mal aos olhos do Senhor."
Êxodo 32, v11-13

É o mesmo Deus.
Talvez seja necessária essa purificação.

Li esses dias a história do Beato Miguel Agustín Pro. Conheces?
Creio que o Padre Paulo Ricardo e tantos outros estejam lutando sim, porém nesse momento de outra forma. Mas quando precisar, derramarão o seu sangue. Devemos rezar inclusive para que eles se mantenham firmes.

Mas jamais cobrar que os Padres corram na nossa frente para derramar o sangue deles. Talvez aos olhos de Deus eles estejam fazendo muito mais do que nós. E aqui vale a máxima do "não julgar".

(não estou acusando que você esteja julgando ok?)

Ontem o Padre Paulo Ricardo postou um belo texto falando sobre o Anjo da Guarda, que ele não é nosso cúmplice em nossos pecados, porém testemunha em nosso julgamento. E destacou que não somente os pecados praticados serão julgados, mas também as omissões. Aqui grande destaque.

Enfim, como Beato Padre Pro, no momento da sua morte, pedindo para morrer com os braços em cruz berrou antes de ser fuzilado: "Viva Cristo Rei!"

Se não conhece Pedro, leia a história dele. Relembrei agora e me emocionei. Que Deus tenha misericórdia de nós que tenhamos essa fé, são tempos difíceis, e irão piorar.

Foto do momento:

http://2.bp.blogspot.com/-egYaxzKrKpU/UpKgZZWpmJI/AAAAAAAABxw/yHmF9ktHbjk/s1600/Beato+Miguel+Agustin+Pro,+Presb%C3%ADtero+e+M%C3%A1rtir+(momento+em+que+%C3%A9+fuzilado).jpg

Pedro Erik disse...

Obrigado, meu amigo, pelo comentário. Peça a benção e orações ao seu irmão pra mim e minha família.

Sobre o que disse, não tenho respostas que tenho certeza, mas acho que confiando no espírito santo, devemos ser a luz do mundo, se silenciamos apagamos e escondemos a luz.

Abraço,
Pedro

Rafael P. disse...

Olá Pedro! Pode deixar que pedirei que ele o inclua em suas orações e missas.

E assim como tu bem dizes: "não tenho respostas que tenho certeza", também estou num momento sem muitas certezas. O que meu irmão me disse acabou me fazendo refletir bastante.

Fique com Deus.

Um abraço!