quarta-feira, 12 de maio de 2021

Depois de Morto, Cardeal Newman Respondeu sobre Vaticano II.

Cardeal Newman faleceu em 1892. Viveu durante o Concílio Vaticano I, mas se recusou a participar desse concílio como teólogo, alegando que não era capaz de emitir opinião sobre o debate da infalibilidade papal. Ele tinha problemas de consciência com o assunto e sofreu desconfiança de alguns clérigos, como o cardeal Manning, por isso e por outras.

Newman escreveu livros teologicamente muito profundos.  Um dos mais conhecidos é o "Ensaio sobre o Desenvolvimento da Doutrina".  Especialmente por causa desse livro alguns dizem que Newman é uma espécie de patrono do Vaticano II, o que de cara me parece um equívoco porque Newman era muito apegado aos dogmas. Foram basicamente os dogmas que fizeram Newman se converter. 

Newman foi canonizado em 2010. Neste momento, o site NCR resolveu perguntar a especialistas em Newman o que ele responderia sobre questões contemporâneas.

Um deles, o padre Ian Ker, por muitos considerados o maior especialista em Newman, uma verdadeira autoridade sobre a vida e o pensamento de Newman, autor da melhor biografia de Newman, resolveu responder como se fosse o próprio Newman respondendo.  

Ker respondeu em primeira pessoa, como se fosse o próprio Newman. Uma atitude corajosa que só ele poderia fazer e todo mundo levar a sério. 

E a pergunta que Ker (Newman) respondeu foi justamente sobre o Vaticano II.

Vou traduzir a responda de Ker (Newman):

Pergunta: O que Newman teria a dizer à Igreja do Século 21?

 Professor Ian Ker (falando pela voz de Newman): Como alguém que muitas vezes foi chamado de “O Pai do Concílio Vaticano II”, acho que a Igreja deste período pós-conciliar encontraria as muitas cartas particulares que escrevi antes, durante  , e depois do Concílio Vaticano I de interesse e relevância.  Lá eu fiz várias considerações.

 Primeiro, os Concílios geram grande controvérsia e desunião.  É provável que haja aqueles que exageram grosseiramente os ensinamentos do Concílio (como aconteceu em meu país depois do Vaticano I, quando o Cardeal Manning exagerou o escopo da definição de infalibilidade papal) e aqueles do outro lado que resistem a esses ensinamentos (como com Dollinger e os  Velhos católicos).  Existe um paralelo depois do Vaticano II?

Em segundo lugar, os concílios têm consequências não intencionais, como era praticamente inevitável quando a infalibilidade papal era definida isoladamente e sem o contexto mais amplo de um ensino mais geral sobre a Igreja.  A Igreja pós-Vaticano II tornou-se excessivamente preocupada com o ecumenismo, a justiça e a paz, etc. às custas do Evangelho?

 Terceiro, meu estudo da história primitiva da Igreja mostrou-me como a Igreja 'avançou para a verdade perfeita por meio de várias declarações sucessivas, alternadamente em direções opostas, e assim aperfeiçoando, completando, fornecendo-se mutuamente'.  Os textos conciliares precisam ser completados - não aumentando ou fortalecendo o que foi ensinado, mas fornecendo outros aspectos da verdade.  A história sugere que o Vaticano III com que alguns sonharam é improvável.

Finalmente, sugiro que você olhe para o início do meu Ensaio sobre o Desenvolvimento da Doutrina Cristã, onde argumento que, embora às vezes se diga que 'o riacho é mais claro perto da nascente', pelo contrário 'uma filosofia ou crença ..  .é mais uniforme, mais puro e mais forte, quando seu leito se torna profundo, amplo e completo.  Ele surge necessariamente de um estado de coisas existente e, por um tempo, tem sabor de solo.  Seu elemento vital precisa ser desvinculado do que é estranho e temporário. '  Será que o vosso Vaticano II não preferiu saborear o solo dos anos sessenta e o seu «elemento vital» não necessita de ser desvinculado desse solo um tanto vulcânico?

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Genial, não é? 

Newman (Ker) tem toda razão. 

Rezemos pela intercessão de Newman na Igreja Católica. 


6 comentários:

Maria Martha disse...

Muito claro. Até quem não conhece filosofia percebe o bom odor da sabedoria.

Anônimo disse...

(Parte 1)

Sinceramente, prefiro muito mais a linha que, baseado no bom magistério, supõe que talvez o CVII sequer seja válido. E portanto futuramente existe a chance de um Papa (realmente Santo) anule seu resultado, seus documentos e o que ocorreu depois.

(Quanto aos Papas, somente outro Papa para julgar)

Não é porque sua convocação do CVII seja válida que o resultado seja válido como alguns afirmam.

Não falo aqui dos "frutos", mas o CVII em sua essência.

Uma das principais testemunhas (Padre Ralph Wiltgen) ao escrever o "O Reno se Lança no Tibre" detalhou muito bem as sessões que compuseram o CVII. E inclusive chegou a ser criticado inicialmente por dar voz mais aos Progressistas. Ali percebe-se tudo o que envolveu de forma muito negativa tal evento.

Foi puramente um jogo político de minorias muito bem organizadas em acordos espúrios. A reabilitação de "peritos" que já haviam sofrido sanções anteriores justamente por trazerem filosofias perniciosas, colocados agora em pedestais.

Cito aqui um livro de leitura muito simples: Catecismo Católico da Crise na Igreja, do Padre Matthias Gaudron.

(poderia também citar os livros do Roberto de Mattei)

Em seguida parte-se para a leitura de seus documentos, que rasgam o Magistério e a Tradição da Igreja. Enquanto os modernos dizem que é apenas uma "hermenêutica da continuidade".

Desde quando existe continuidade na ruptura?
Desde quando existe infalibilidade quando é ensinado o erro?

Por ventura poderia a Santa Igreja Católica ensinar o erro?

Então sem olhar os frutos podemos ver que é impossível afirmar que o CVII esteja em continuidade com os Concílios Anteriores.

Vejo infelizmente muitos dito católicos que defendem o CVII e acusam de heresia quem não o defende. Ou como o Papa Francisco afirmou dias atrás, que quem não está com o CVII não está com a Igreja.

Ele está certíssimo. Mas faltou especificar: Qual Igreja?

Depois, como cereja do bolo, temos 1969 e a introdução de um rito fabricado também chamado de "Novus Ordo".

Que novamente, sem atacar os frutos, e sem usar de "ad hominem" (palavras da moda) contra Annibale Bugnini, trata-se de um rito triste de tantos erros e rupturas.

Anônimo disse...

(Parte 2)

Tirando a parte mais objetiva sobre o CVII, e o último adendo sobre o Novus Ordo, trago também questões mais subjetivas (de credo pessoal pois não são dogmas), mas que considero extremamente importantes:

1) Nossa Senhora de Fátima alertou no 3o Segredo sobre uma Apostasia que começaria no Topo da Igreja, sendo que esse segredo deveria ser aberto especificamente em 1960.

Data da Convocação do Concílio: 25 de Dezembro de 1961
Data do início do Concílio: 11 de outubro de 1962

(Vamos achar que é coincidência o pedido para divulgação em 1960?)

2) Nossa Senhora também alerta nesse mesmo 3o Segredo sobre a mudança na liturgia.

Indicação 1: https://www.youtube.com/watch?v=dZNhtrZG0vY
Indicação 2: https://www.youtube.com/watch?v=hxArpe3Eux4

3) Vários Santos já revelaram que Satanás iria tentar destruir a Santa Igreja através da abolição do sacrifício;

4) Papa Leão XIII teve a fatídica visão do diálogo entre Nosso Senhor Jesus Cristo e satanás (de onde surgiu a oração de exorcismo), onde satanás pediu um tempo para destruir a Igreja, e Deus concedeu. Quanto tempo? de 75 a 100 anos.

Isso ocorreu em 1886 + 75 anos = 1961 (bingo).

5) Por último, uma das maiores místicas e conselheiras que o clero já teve (inclusive de Papas) foi a mística e estigmatizada Marie Julie Jahenny, que em Junho de 1881 traz as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo a respeito de um "novo rito":

“Quando chegar a hora fatídica quando os meus sacerdotes serão postos à prova, serão (estes textos) os que serão celebrados neste segundo período…
O primeiro período é o do Meu sacerdócio que existe desde que Eu o fundei. O segundo é o da perseguição, quando os inimigos da Fé e da Santa Religião, que imporão suas fórmulas, no livro da segunda celebração…
Esses espíritos infames são aqueles que Me crucificaram e estão esperando o reinado do Novo Messias.”

Anônimo disse...

(Parte 3 - Última)

Acredite quem quiser, ou: "Quem tiver ouvidos, ouça".

Mas é espantoso como muitos dito católicos aplaudem ao CVII, que arranjam desculpas para defenderem o Concílio, colocam culpa na interpretação etc.

Ignoram a gravidade da crise na qual estamos. Vivem como se o Papa Francisco fosse um excelente Papa, inclusive colocam ele de igual pra igual com outros Papas já santos inclusive.

Que pedem provas materiais que existe maçonaria na Igreja, que existe alinhamento as idéias de uma Nova Ordem Mundial e seus asseclas (comunismo, ecumenismo, fraternidade universal, renda básica universal etc).

Como já ocorreu em outra postagem, vão fazer suas piadas, suas ironias, seus sofismas. Como quem diz: "Olha esse louco escrevendo"

Não esqueçam:

1) satanás era um dos maiores na Corte Celeste, pai da mentira como Nosso Senhor Jesus Cristo bem definiu. E muitos se acham mais espertos que ele ao não enxergarem o óbvio.

2) São João Batista era tido como louco, Nosso Senhor Jesus Cristo era tido também como um louco por falar a Verdade;

3) Não caiam no orgulho de definirem como inverídico, "teoria da conspiração" ou o que for tudo o que vai contra ao que vocês acreditam. Já dizia o profecia: satanás daria um golpe de mestre quando através da obediência (natural da Igreja Católica) impor seus planos para destruição da Igreja Católica. Não sejam instrumentos disso.

Pedro Erik disse...

Gratissimo pelo excelente comentário, caro Anonimo

Abraço,
Pedro Erik

Anônimo disse...

Olá, amigo anônimo.


Sempre acompanho o blog, embora nem sempre comente. Compreendi a referência e só queria dizer que não te acho um louco. Apenas discordamos sobre determinadas coisas. Mas pra mim é tranquilo, já estou acostumado em ser uma voz um pouco dissonante no blog. Agradeço o Pedro, que publica sempre meus comentários, mesmo quando discordantes.

Não tive intenção de ofender, apenas quis apontar os erros e as contradições que encontrei. Acho um pouco exagerado que tu queiras me condenar à morte por heresia, mas tudo bem :D

Meu desejo de que Deus te abençoe e de que a Virgem de acompanhe são honestos. Não te vejo como um inimigo e li com atenção teus apontamentos. Discordo de alguns pontos, mas te desejo o bem.


Ao Pedro tenho uma pergunta:

Seria correto dizer que todos os Concílios são contaminados pelo solo de sua época? Para saber, portanto, o que há de correto nos Concílios e nas posições da Igreja seria necessário desvincular seu "elemento vital" do que neles há de estranho e temporário? Ou o raciocínio só se aplicaria ao Vaticano II?




Grande abraço a ambos,

Jonas